Jardim das Almas Mortas




Num jardim de altos muros

Essa noite fui passear,

Guiado por um anjo negro

Que em todos lugares me fez passar.



Nesse jardim de altos muros

Que a luz impedia entrar,

Era frio, morto, escuro...

Para onde quer que pudesse olhar.



Flores mortas pelo chão,

Fragrância de rosas murchas no ar...

A morte era muito presente ali

Não havia mais vida naquele lugar.



Em seus corredores longos e escuros

Eu percebia ao caminhar...

Que nem mesmo a poderosa quimera

Em seu interior conseguiria ficar.



Vultos sem face, corpos sem coração

Lar dos condenados à eternidade

De viver sem vida

De morrer em vão



Onde encontrei tal jardim, tão cheio de desolação

A resposta causou me espanto, desespero, frustração

Percebi que o Jardim das Almas Mortas

Estava dentro de meu coração.






By Docristo





Anjo Cimério





Em seu sorriso singular

Meus motivos pra lhe amar

E dentre esses mais um monte



Em seu modo de falar

Olhando-me com ternura

Mal tu podes suspeitar

O tamanho da amargura



Que a mim tem perturbado

Me inebria, me atiça,

Para mim já é um fado

O desejo e a cobiça



Por ti sofro dia e noite,

Por ti sofro noite e dia,

Como que por atroz açoite

Infindando minha sangria



Puro és oh! Meu amor,

Tão raro ser encontrado

Por que causas tanta dor

Feito o corte d'um machado?



Por ti sofro desse mal

Pungente e abaldeiro

Meu coração pandea tal

Qual a mazela do barbeiro



Não lembro nada que fizesse

Pra de tal mal perecer

Oh! Deus, mesmo que quisesse

Não consigo te entender



Com seu rosto imaculado,

Não há vênia que preste

Pra mim é fato consumado

Que foi tu quem a fizeste!



Mas por que a extraiu

De sua morada grandiosa?

Um anjo em terra tão vil

Deus, que idéia odiosa!



E quanto a tu, anjo cimério,

Me sorveu serenamente

Estou morto embora quente

E sem jazer num cemitério .





By Docristo

Mórbido Desejo.






Conceda-me uma faca, meu Deus

Abençoada, brilhante e afiada

Que atravesse as veias, sem dó

E ao coração desate o nó

Para que fiquemos mais aconchegantes

Quando retornarmos ao pó
Quando distâncias tenderem a voltar

E onde fica a amada?

Numa alma perturbada?

Nos berços da ilusão, será?

Na solidão?

No amar?

Ouça minhas preces, Senhor!


E conceda-me a faca

Quem sabe cante eu o corte da vitória?

No final de uma dura corrida?

Quem sabe eu destroce a minha memória?

Quem sabe eu assassine o amor?

Mórbido e triste?

Puro e sem maldade!

Apenas querendo uma faca

Para matar a dor

E feridas coçar

Para cicatrizar

Queria você me querer?

Para depois sofrer?

Leve a faca querida

E em seu gume, restos de minha ferida

Para seu quarto enfeitar

E seu ar perfumar

Com o verdadeiro odor de uma coração

Podre que pode...

Podre que pede...

Sangue puro, quente e vermelho

Já olhaste, querida?

Seus olhos profundos no espelho?

Consegue ver as veias vermelhas?

E a pupila dilatada?

Que o espírito denuncia?

Seus olhos falam, sabia?

Leve, garota, a primazia

De uma veia podre jorrando sangue de ópio

Sangue de lágrimas

Faca que alivia as lástimas

E deixam lembranças de um funeral

Assim como faz uma rosa branca

No lar de uma família de ossos

Para alegrar a casa

E ilusões satisfazer

De um coração deturpado sentindo-se mal

Dentro do peito de um animal

Selvagem e mórbido?

Tá certo!

Humanamente racional!





By Docristo.

O vulto da Morte


O vulto da morte


Dama linda e ternurosa,
De face sedutora inigualável,
Olhos vazios e alma morta...
O que fazes aqui?
Já disse que te quero...
Nunca a disse o quanto a amo...
Isso é verdade...
Mas tive medo de fazer tal coisa,
Medo de ser rejeitado novamente,
Eu não sei se tu me amas,
Ou se tu me odeias...
Vejo seu vulto,
Sinto seu cheiro,
Mas não a ouço,
Não a toco...
Tenho vontade,
Mas infelizmente querer não é poder...
Fico aqui pensando em ti,
A toda hora,
A todo momento,
Não me canso...
Fico esperando o dia que a verei novamente,
No dia que eu escutarei a sua voz,
Tocarei em sua pele,
Me perderei em seus braços...
Pena que tudo isso não passa de um sonho,
Sonho de um feliz viver...
Caminho em pequenos secos e silenciosos passos,
Vou à sua direção... ao seu encontro,
Por um momento sinto meu corpo mais leve,
O ar gélido da escuridão cessa,
Agora sua imagem e cheiro,
Melindram meus pensamentos...
Quando me dou conta...
Percebo que estou morto...
Percebo que você veio apenas me buscar,
Para mim...
A morte era triste, o fim...
Mas agora vejo que estava enganado,
E ao seu lado...
Posso sentir encarnado em meu ser,
Um sentimento de vida após a morte...
E agora sim posso dizer:
"Ao seu lado, alcancei o meu feliz viver..."

By Docristo

Dama da Morte






Tua pele branca como a lua,

Pálida e fria

Teu corpo quase sem vida

numa madrugada vazia



Uma rosa murcha em tua mão

e eu ali, admirando-a

e eu ali, amando-a



Tuas vestes negras

Balançando ao sabor do vento

Teu corpo lânguido

Suavizando o meu tormento



Não nego a força do meu desejo

rosa negra no branco luar

só necessito do teu beijo



Como eu queria

Morrer em teus braços

libertar-me dos laços

dessa vida perdida



Abraça-me, beija-me

Me leve para o teu mundo

o teu paraíso negro e profundo



Agora é tarde

Eu devaneei demais

Diante de mim o nada

E a certeza de nunca ter paz



o gosto amargo da dor

Ardor da desilusão

E eterna solidão



Que seja Bela em minha mente

A dama da morte doente

Enquanto eu um ser vivente

caminho sem esperança eternamente






By Docristo

Eternamete seu Servo

Penumbra









Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos



Por que não cala-te

E adormece nesse peito?

Ó! Espectro de luz...

Carrasco do meu silêncio



Leva! Afasta de mim

Os vestígios dessa lembrança

De quem chora pela ausência

E teme pela distância



Porque minha alma

Não suporta tanta angústia

Porque meu lamento

Aos teus ouvidos é música



E aqui nesse claustro

Prisioneiro de mim mesmo

Me desfaço com o medo

Enlouqueço... Adormeço...



Por que tu és fogo que não arde

És paisagem fria e morta

És saudade que me invade

Destrói... Devora...



Não lembro quantos sorrisos

Cabiam em meu rosto

Tanto ardor! E quanto desejo!

Mas tu levaste todos...



Se Deus soubesse

Da minha existência

Não iria permitir

Tuas ofensas...



Por que me torturas

E não me condena?

Por que não me abandona

E me deixa morrer de tristeza?



Meu corpo é meu templo

É o resto em ruínas

É esquife do espírito

Que renuncia à vida...



Tu és a voz profana

Que ecoa em meus ouvidos

É a noite, é meu drama

Meu ritual de suicídio



Transpiro saudade pelos ossos

A face pálida, por vezes rubra

Denuncia a penumbra

E o sofrimento nos meus olhos.















By Docristo

Minha Mulher Fatal

















A gente se combina tanto
A gente faz amor legal
Eu já conheço tuas manhas
Teu jeito de mulher fatal
Se tá zangada faz biquinho
Se tá contente da carinho
Eu só te peço uma coisa
Me deixa beijar tua boca agora
Que eu te amo e te quero sem demora
O nosso amor já tem a mais linda história
Que é contada em versos que eu fiz pra você

Mulher que mexe comigo por dentro
Com meu pensamento
Um doce veneno eu invento
Que quero te deixar pra ver se mexo contigo
No fim parece mais que me impus um castigo
Você me mostra logo um sorriso maroto
Eu me entrego por inteiro parecendo um garoto
Querendo um brinquedo sentindo o desejo
E essa ansia se acaba no mais longo beijo
A gente se combina tanto
A gente faz amor legal
Eu já conheço tuas manhas
Teu jeito de mulher fatal
Se tá zangada faz biquinho
Se tá contente da carinho
Eu só te peço uma coisa
Me deixa beijar tua boca agora
Que eu te amo e te quero sem demora
O nosso amor já tem a mais linda história
Que é contada em versos que eu fiz pra você
Agoraaa que eu te amo e te quero sem demoraaa
O nosso amor já tem a mais linda história
Que é contada em versos que eu fiz.
Pra você