
Eu esmoreço aos poucos, enterro-me não como a carcaça que putrefaz,Mas sim como a lápide de meus sonhos!Minha sina agora é por ti,Meu anjo agora és tu,Se fores aquela que almeja a dorAtravés de mim, terás!Tal qual a pétala que ainda jovem é consumida pelo mais nefasto ser,Estou a definhar entre trevosas e espinhentas rosas do meu mundo interior!Meus sentidos agora são por ti,Meus medos todos serão por ti,Se fores aquela que estava prescrito nas profecias,Saiba que há o Mal em mim!Assim como num conto da Era Medieval, o cavaleiro das Trevas armado assaltou-me,Assim como nos versos em que praguejo, minha guardiã veio para meu tormento!Minha vida agora é por ti,Minha dor agora é por ti,Se minhas orações forem fortesO tormento há de logo abrandar!Deixei que a demência tomasse conta de minha já deturpada imaginação,Levei meus pensamentos até o mais belo dos céuse caí nas garras do purgatório!Minha queda moral será por ti,Meus desvarios serão por ti,Mas se queres a salvação,Agarre-se às suas crenças e fuja enquanto é tempo!Afague meu corpo em frangalhos, enlouqueça os meus maculados segredos,Embaralhe minha turva visão, esquarteje a carne enfraquecida, mas suplico: não perca-se!Meus versos serão para ti,Minhas canções estarão em ti,Porém a loucura é satânica,E deves salvar sua alma enquanto ainda há chance!Arraste-me até o poço mais imundo dos cemitérios, mate-me, arraste minha carcaça,Mas suplico para que deixe de ludibriar seus olhos de loba pois a besta selvagem sou eu!Meus sonhos serão por ti,Minhas mágoas serão por ti,Mas se queres escapatória, Entregue-se ao medo!Corte-me, torture-me, estrangule-me com seus toques!Envenene-me, complete a odiosa possessão, reviva os pecados de sua vida anterior!Meus males serão por ti,Minha cura estará em ti,Mas se ainda queres viverAbandone-me!Despedace o coração de um merecedor do sofrimento eterno,Aumente o peso do fardo que devo carregar, assassine os fados que construo com sua presença!Minha vida segue em ti,Meu castiçal apaga-se por ti,Se ainda almeja ver a luz Afaste-se desta fatídica criatura!As mortiças horas estão a fundirem-se, a cavalgada dos mortos está para pisotear-te,Os bizarros desejos pelo mórbido juízo final estão a corroer o silêncio!Meus pavores estão em ti,Meus horrores estão guardados em ti,Porém se procuras não se machucarProteja-se de mim!Em seus ombros vejo as asas angelicais esconder, Em suas palavras percebo a sabedoria a escorrer por entre a perturbação que adquiri!Definharei somente por ti,Meu êxtase será por ti,Se anseia pela libertaçãoEsconda-se no coração enegrecido da noite!As tragédias teatrais parecem misturarem-seentre as palavras que dizeis,Meus sentidos entorpecidos choram quando mostro alegria, minha loucura está levando-me à morte!Meu morgue será por ti,Minhas vísceras irão se retorcer por ti,Se fores aquela que tentará salvar-mePerderá sua sanidade!Pelas melodias profanadas, pelas premonições profundamente enganadoras,Em cemitérios entre vivos, em morgues entre sentimentos, respirarei enquanto ainda puder!Meu embalo