Desolação

As luzes se apagaram

Os céus escurecendo

As portas se fecharam

Vidas se perderam

Vazio é meu coração

Vida fingida e fria

Apenas lembranças restaram

Do tempo em que eu vivia

Solidão

A nuvem negra que guarda meu coração

Eternidade

É o amanhã que me traz a sanidade

Minha deusa se mostra com elegância

Por trás das nuvens, a longa distância

Seu manto acinzentado a revela

Oh, senhora Lua, é tão bela

Só você me resta agora

Minha carne foi-se embora

Aqui estou, sentado em minha tumba

Escrevendo tristes poesias

Minha senhora, és minha coroa

Nesta perfeita noite fria

De volta ao meu lar, o cemitério

Tudo o que me pertence está aqui

Folhas mortas, profundo vazio

Oh, senhora Lua... eu morri!!!

Lembranças em uma Noite Fria

A noite chega
trazendo escuridão
e o vento carrega
até mim a solidão

me lembra como era
lhe tocar,
uma rosa sem espinhos
lhe saborear,
como o mais nobre dos vinhos

Para mim o que resta é sonhar
lembrar como era estar contigo
antes da morte me levar
ao túmulo, meu último abrigo.

Em meus sonhos voce esta em todo lugar


Jamas serei so na Madrugada




Já passa das três da manhã, estou caminhando pela rua praticamente deserta já que estou caminhando há horas e ainda não cruzou uma alma nem viva nem morta em meu caminho. Nunca ando só, nicotina e álcool sempre me fazem companhia.
Senti um arrepio... Deve estar fazendo um pouco de frio não sei, a segunda garrafa de vinho me aquece um pouco, talvez deveria ter pego um casaco.
A noite está perfeita, céu limpo e uma lua extraordinariamente linda e cheia. Paro e bebo mais um gole antes de acender outro cigarro, enquanto dou a primeira tragada sinto uma sensação estranha, pareço estar sendo seguido ou observado. Olho a minha volta e não vejo movimento algum. Olho novamente pra ter certeza pois a quinta garrafa começa a fazer efeito, mas não enxergo nada de diferente, a rua continua vazia. Continuo meu caminho sem rumo.
Enquanto divido minhas confusões com minha garrafa entre uma tragada e outra, sou surpreendido pelo som de passos fortes, mas não sei ao certo em qual direção está vindo, não sei se paro ou se continuo, já meio desconfiado resolvi olhar para trás mas continuei sem ver muita coisa pois agora a neblina havia aumentado, mas quando olho novamente para frente sou quase que levado por um vento forte que veio de repente, bom resolvi mudar o trajeto um pouco afinal estava naquela direção há algum tempo mesmo. Estava perto de uma igreja onde tem uma escadaria, vou me sentar por lá e dar um descanso as pernas.
Sentei nas escadas e acendi mais um cigarro depois do ultimo gole de vinho, como de costume quebrei a garrafa. Notei uns pingos de vinho pelo chão, mas não me lembro de ter derramado nada no chão e quando quebrei a garrafa não havia mais nenhum gole lá dentro, cheguei mais perto pra ver... Minha nossa... É sangue! Será que estou tão bêbado que me cortei e não senti?
Enquanto eu pensava no sangue que estava no chão ouvi um gemido que vinha do lado de dentro da igreja. Fiquei pensando em talvez olhar o que poderia ter acontecido, quando a porta abriu, esperei mas ninguém saiu ou entrou.
Subi as escadas pensando se eu devia ou não, entrei...Olhei...Nenhum movimento.
Achei que talvez fosse algum padre pedófilo sem vergonha e saí, afinal o que eu faria dentro de uma igreja.
Segundo o relógio que havia na frente da igreja eram exatamente cinco horas e cinco minutos. Lembrei do cemitério que havia atrás da igreja, como era caminho de volta pra casa resolvi dar uma olhada. Enquanto caminhava entre os túmulos e como de costume lendo as lápides, senti outra vez aquele mesmo arrepio de antes, e agora não estava frio, em seguida o mesmo vento... (risos) acho que estou mesmo bêbado... (risos)..que estranho

senti algo esquisito, passei a mão no pescoço e havia sangue, acho que estou tonto... Caí em meio as lápides...
E so agora me dei conta, que sou um ser da noite escura.



Por Docristo O Cigano

Ária às Almas

Eu venho aqui cantar para as almas,
Arranhar a lira soturna dos lamentos.
É nesta hora nefasta que a dor em mim preside,
Assim como vermes sobre a carne podre.

Esses espectros que semeiam minhas angústias,
Abafadas pelo silente desespero de quem busca a morte,
São a vil personificação de meus demônios.
Que me devoram a cada instante com iniqüidade.

Fatidicamente vilipendiado, nasci do gene dos seres sofredores.
Vítima do atavismo medonho de minha estirpe,
Sucumbi-me ao jugo da solidão perene.

Escutem, infaustas almas, meu canto de agonia:
Quis eu, a ventura de Endimião,
Passar a vida sob sono perpétuo...

O Céu pelo Avesso

Foi longo tempo nessa terra
Que se passou diante as trevas
Já não havia mais o dia
Só uma luz radioativa
Que incendiava nossas almas
Numa pulsante dor macabra
Ao se apagar, foi despertar
Os anjos caídos atirados ao abismo
E na sede do teu ódio
Levantaram-se os inimigos
É Guerra Santa...
E quem virá nos salvar
Se eu pudesse ver
O que há do outro lado
Se eu pudesse tocar
O que não conheço
Se eu pudesse voar
Pelo espaço
Se eu pudesse tocar
O céu pelo avesso...
E nasce como dor pulsante
A nossa sede pelo sangue
As sete velas se apagaram
Foi pelo sopro do pecado
Anjos de luz e anjos negros
Se enfrentavam no deserto
O nosso tempo terminara
Ao se quebrar a última espada
E renasceu um novo tempo
E passaram anos
E completaram milênios
Homens se julgam sábios
Deixaram o céu pelo avesso
É Guerra Santa...
E quem virá nos salvar ?

Penumbra

Transpiro saudade pelos ossos
A face pálida, por vezes rubra
Denuncia a penumbra
E o sofrimento nos meus olhos

Por que não cala-te
E adormece nesse peito?
Ó! Espectro de luz...
Carrasco do meu silêncio

Leva! Afasta de mim
Os vestígios dessa lembrança
De quem chora pela ausência
E teme pela distância

Porque minha alma
Não suporta tanta angústia
Porque meu lamento
Aos teus ouvidos é música

E aqui nesse claustro
Prisioneiro de mim mesmo
Me desfaço com o medo
Enlouqueço... Adormeço...

Por que tu és fogo que não arde
És paisagem fria e morta
És saudade que me invade
Destrói... Devora...

Não lembro quantos sorrisos
Cabiam em meu rosto
Tanto ardor! E quanto desejo!
Mas tu levaste todos...

Se Deus soubesse
Da minha existência
Não iria permitir
Tuas ofensas...

Por que me torturas
E não me condena?
Por que não me abandona
E me deixa morrer de tristeza?

Meu corpo é meu templo
É o resto em ruínas
É esquife do espírito
Que renuncia à vida...

Tu és a voz profana
Que ecoa em meus ouvidos
É a noite, é meu drama
Meu ritual de suicídio

Transpiro saudade pelos ossos
A face pálida, por vezes rubra
Denuncia a penumbra
E o sofrimento nos meus olhos...

Tristeza

Não era tanto... Mas não cabia no peito
Era mais que pranto com lágrimas e olhos vermelhos
Assim pelo meu desespero,
Por despetalar o que fora inteiro
A dor era o amargo lenitivo
Era fronteira que dividia os sentidos...
E unificava os versos como música
Ah! Se aquela estação fosse a última!
Se não houvesse tantas após
Se o tempo não fosse meu próprio algoz
Quando a noite findava a loucura
Adormecia em Sol menor e despertava com a Lua
Seguia os áureos ventos que insinuavam as veredas
Era um peregrino das paisagens serenas
Mas se aproximava o temporal e o cataclismo
Agora a brisa é vendaval, e ascensão é declínio
Via o vão abissal que fragmentava minha alma
Eu já não era imortal como imaginava
Assim como o palco vazio de um teatro
Meu espírito num monólogo e... fim do primeiro ato!
Resta-me o império devastado, E uma esperança em ruínas
Que antes da noite chegar, Tu me levarás a vida
Agora... sou constelação de uma estrela
Sei que não é o momento... Mas desculpe minha tristeza...

Síndrome do Mal

Ó terra ingrata,
por onde um dia passei
na plenitude da vida
à tristeza roguei
Embalsamado em meus sonhos
Entrevado sob a realidade
Salpicado pelo sangue nobre
Da negra ave da maldade
Companheira de outras eras
Lembrança em minh’alma
Abatida em vôo sombrio
O submundo agora a salda
Desatinos líricos
fortalecem o coração empedrado
Firme áurea reluzente
Na sombra do passado
Sincera inocência perdida
Fugaz amante louvada
Serena morbidez expira
Feito certeira flechada
Não há mais busca
Estranha e total demência
Apenas uma terrível luta
Instintiva sobrevivência
Marcado pela dor
Entorpecido pelo ópio
Desde as mais longínquas noites
Perseguido pelo ódio
Suave veneno que corroe
maldita angústia no peito
Preparando o ser sórdido
Para seu fúnebre leito
Sinfonia mórbida ecoa
dos doces lábios da donzela
A melancolia me chama
E agora me vela
Bendita paz derradeira
À ela e à mim defere
Eterno sepulcro solitário
Não há morte que a leve

Semblante

Cinzenta manhã de inverno
Aguça o cheiro de paz
Traz conforto ao ser
preso atrás dos vitrais
Singular sentimento
Me deprime ao extremo
Nostalgia me domina
Dilacera meu peito
Meu coração agora sangra
Minha alma se despedaça
Num segundo, sou luz resplandecente
No outro, só cinzas da tristeza
Ultra-romantismo crônico
Intrínseco desejo mórbido
O mal-do-século me fez assim
De repente me fecho e morro
Transpiro a solidão dos mortos
Nas sombras caio em devaneio
Moribundo nos braços da Deusa
Minguante e soturno, desvaneço
Sou um estranho dentre os vivos
Uma árvore retorcida pelo tempo
Espírito perdido na névoa
Espectro num cemitério maldito
Sou o choro da criança
O desespero num funeral
Sou o último suspiro
A melancolia fatal
Sou lágrima que escorre
Sou brisa que beija a face
O viajante que não retorna
Sou o semblante da saudade
Transpiro a solidão dos mortos
Do teu olhar ainda lembro
Transpiro a solidão dos mortos
Por que fostes tão cedo?

Inconscientemente Insano

Vejo luzes dançantes
No escuro me sinto só
Protegido pela névoa
Camuflado pelo meu corpo
Busco o sentido
O sentido de tudo
O porquê de cada ato
De cada passo predestinado
Agora vejo-as girando
Não param de girar
A vida passa aos meus olhos
Num piscar do universo
Um insight passa sobre meus pensamentos
Me deixando louco por um segundo
...ou talvez normal
Vejo os extremos quase se tocando
Como num atalho imaginário
O impossível agora
pode ser alcançado
E o improvável se torna inevitável
Sombras invadem minha mente
Demônios riem nas trevas
O confronto é incessante
A vitória é sempre incerta
O magnetismo das forças
traz consigo a eternidade da luta
O momento inoportuno e difícil
proclama o final já esperado
O brilho da espada do guerreiro
não reflete mais
seu olhar imponente
Seu cavalo alado
agora quase morto
descansa ao seu lado
O elmo, antes reluzente
Agora chanfrado de tantas batalhas
Não mais o protege no combate
Sinto a bandeira do inimigo
Fincada em minha alma
O guerreiro está ferido
e a batalha perdida
Volto à realidade insana
E não consigo mais pensar
Mas percebo agora
o sentido dessas linhas
No decorrer da vida
a guerra seguirá
Só espero ao fim dela
conseguir achar
a razão... o objetivo
que me trouxe até aqui
Que me fez, um dia, acreditar
Que me fez, dessa vez...
à sanidade voltar

Abstrata Simetria

Lá fora eu sinto a chuva cair
Como algo que estraçalha e fere meu ouvido
A noite não é mais noite
É só um final para o hoje
Não quero provar nada
Só quero sentir-me bem
Não sinto vontade de ser coerente
Só quero me desligar um pouco
Seria algo estranho
Se continuasse
Tudo assim tão...
...negro...
...vermelho
Não consigo mais respirar
Só tento ainda enxergar
Não o caminho
Não a noite
Mas sim o nada,
a escuridão invisível que me segue
Fiz tudo o que podia fazer
Só assim me fortaleço
Mas não consigo viver
Sobrevivo perante o mar
Ilhado, não consigo fugir
Amando muito a tudo e à todos
Não consigo demonstrar o mínimo
Sofro por tal brutalidade de espírito
A melancolia ecoa em minha mente
Como um alerta para o que há de vir
Dos meus poros escorre sangue
Dos meus olhos vê-se o medo
Ao final...
Lembro apenas como é bom
Ser tão insanamente... simétrico
Tão simetricamente... incoerente
Incoerentemente distante.

Eu sou o tudo e sou o nada

Meus olhos me iludem.

"Meus olhos me iludem
Meus sentimentos me dominam
Minha mente me confunde...
Lágrimas angustiadas escorrem em meu rosto Já não sinto mais nada a não ser uma paixão inacabada
Meu corpo parece imóvel
Mexendo-se apenas para enxugar o sangue que transborda de minhas veias por cortes que eu mesmo fiz em meu corpo
Estou num prolongado desespero que teima em permanecer comigo
O desespero da dor O desespero da paixão que um belo dia acertou meu coração solenemente, mas que foi me tornando um condenado em sentí-la
Até mesmo meus sentidos eu não tenho mais
Não sinto mais nada que não seja esse doce - amargo sentimento que me consome
Um sentimento de pura paixao
E eterna devoçao,devoçao ao nosso amor
Mesmo nos nossos momentos de tristezas
E nos nossos momenos de solidao
Serei devoto ao nosso amor
E sincero a nossa paixao".

Minha Angel

Ária às Almas

Eu venho aqui cantar para as almas,
Arranhar a lira soturna dos lamentos.
É nesta hora nefasta que a dor em mim preside,
Assim como vermes sobre a carne podre.

Esses espectros que semeiam minhas angústias,
Abafadas pelo silente desespero de quem busca a morte,
São a vil personificação de meus demônios.
Que me devoram a cada instante com iniqüidade.

Fatidicamente vilipendiado, nasci do gene dos seres sofredores.
Vítima do atavismo medonho de minha estirpe,
Sucumbi-me ao jugo da solidão perene.

Escutem, infaustas almas, meu canto de agonia:
Quis eu, a ventura de Endimião,
Passar a vida sob sono perpétuo...

Suicide Angel

Ária às Almas

Eu venho aqui cantar para as almas,
Arranhar a lira soturna dos lamentos.
É nesta hora nefasta que a dor em mim preside,
Assim como vermes sobre a carne podre.

Esses espectros que semeiam minhas angústias,
Abafadas pelo silente desespero de quem busca a morte,
São a vil personificação de meus demônios.
Que me devoram a cada instante com iniqüidade.

Fatidicamente vilipendiado, nasci do gene dos seres sofredores.
Vítima do atavismo medonho de minha estirpe,
Sucumbi-me ao jugo da solidão perene.

Escutem, infaustas almas, meu canto de agonia:
Quis eu, a ventura de Endimião,
Passar a vida sob sono perpétuo...

Eterno amor

O Céu pelo Avesso

Foi longo tempo nessa terra
Que se passou diante as trevas
Já não havia mais o dia
Só uma luz radioativa
Que incendiava nossas almas
Numa pulsante dor macabra
Ao se apagar, foi despertar
Os anjos caídos atirados ao abismo
E na sede do teu ódio
Levantaram-se os inimigos
É Guerra Santa...
E quem virá nos salvar
Se eu pudesse ver
O que há do outro lado
Se eu pudesse tocar
O que não conheço
Se eu pudesse voar
Pelo espaço
Se eu pudesse tocar
O céu pelo avesso...
E nasce como dor pulsante
A nossa sede pelo sangue
As sete velas se apagaram
Foi pelo sopro do pecado
Anjos de luz e anjos negros
Se enfrentavam no deserto
O nosso tempo terminara
Ao se quebrar a última espada
E renasceu um novo tempo
E passaram anos
E completaram milênios
Homens se julgam sábios
Deixaram o céu pelo avesso
É Guerra Santa...
E quem virá nos salvar

Minha linda Suicide Angel

Tristeza

Não era tanto... Mas não cabia no peito
Era mais que pranto com lágrimas e olhos vermelhos
Assim pelo meu desespero,
Por despetalar o que fora inteiro
A dor era o amargo lenitivo
Era fronteira que dividia os sentidos...
E unificava os versos como música
Ah! Se aquela estação fosse a última!
Se não houvesse tantas após
Se o tempo não fosse meu próprio algoz
Quando a noite findava a loucura
Adormecia em Sol menor e despertava com a Lua
Seguia os áureos ventos que insinuavam as veredas
Era um peregrino das paisagens serenas
Mas se aproximava o temporal e o cataclismo
Agora a brisa é vendaval, e ascensão é declínio
Via o vão abissal que fragmentava minha alma
Eu já não era imortal como imaginava
Assim como o palco vazio de um teatro
Meu espírito num monólogo e... fim do primeiro ato!
Resta-me o império devastado, E uma esperança em ruínas
Que antes da noite chegar, Tu me levarás a vida
Agora... sou constelação de uma estrela
Sei que não é o momento... Mas desculpe minha tristeza...

Eu sou o tudo e sou o nada

Penumbra

Transpiro saudade pelos ossos
A face pálida, por vezes rubra
Denuncia a penumbra
E o sofrimento nos meus olhos

Por que não cala-te
E adormece nesse peito?
Ó! Espectro de luz...
Carrasco do meu silêncio

Leva! Afasta de mim
Os vestígios dessa lembrança
De quem chora pela ausência
E teme pela distância

Porque minha alma
Não suporta tanta angústia
Porque meu lamento
Aos teus ouvidos é música

E aqui nesse claustro
Prisioneiro de mim mesmo
Me desfaço com o medo
Enlouqueço... Adormeço...

Por que tu és fogo que não arde
És paisagem fria e morta
És saudade que me invade
Destrói... Devora...

Não lembro quantos sorrisos
Cabiam em meu rosto
Tanto ardor! E quanto desejo!
Mas tu levaste todos...

Se Deus soubesse
Da minha existência
Não iria permitir
Tuas ofensas...

Por que me torturas
E não me condena?
Por que não me abandona
E me deixa morrer de tristeza?

Meu corpo é meu templo
É o resto em ruínas
É esquife do espírito
Que renuncia à vida...

Tu és a voz profana
Que ecoa em meus ouvidos
É a noite, é meu drama
Meu ritual de suicídio

Transpiro saudade pelos ossos
A face pálida, por vezes rubra
Denuncia a penumbra
E o sofrimento nos meus olhos...

Angel Belly Dance

A magia de uma Cigana

Ira Lasciva

Eu sou o semblante triste
O sorriso curto e ainda tímido
Por traz dos olhos de esfinge
Se esconde um vulto, ou espírito

Dentro da minha alma
Existe uma necrópole
De vampiros suicidas
Mortos de overdose

Fragmentos de poesia,
Anjos loucos num calabouço
Acusados de heresia
E torturados pelo fogo

São vagas todas as lembranças
Da insânia ingênua e lua fria
Fui traído pela falsa santa,
Na neve branca da melancolia

Assim ao amor dos mortais
Prefiro a solidão dos Anjos
E a minha condição fugaz
De simples ser humano

Sou uma tela, sou um quadro surreal
Pintado à óleo e sangue
Sou guerreiro guardião do Santo Graal
Na clausura de Notre Dame

Montagem com minha esposa-SuicideAngel

Espelho D'água


Gosto de ti, se me procuras à noite
Quando estou só, não ouço a voz, não vejo as cores
Posso sentir, sua presença em minha alma,
Se vens até mim, e a vejo num espelho d'água
Não posso tocá-la, por que está além dos olhos meus
Na madrugada somos três... a tristeza, a solidão e eu...
Se estás aqui, e adormeço em teus acalantos,
Não temo o Sol, não temo a luz nem seus quebrantos
Se tu me acolhes, já me inundo de desejos
Óh! Fada nua... Óh! Luz sombria do meu espelho
Quem dera... Se fosses a rosa branca dos meus vícios
A fumaça nos pulmões... o escudo, a espada e o espírito...
Eu vejo vozes e ouço vultos,
Eu fumo um cigarro e corto meus pulsos
Um corpo caído, um sonho do avesso
Duas taças de vinho, sangue e cianeto
Já não luto contra o luto, não amputo meus impulsos
Desmaio ao devaneio no meu leito moribundo
Noturno... soturno, na dor e na saudade
Nas flores do sepulcro até que a vida nos separe
A lágrima no rosto é mágoa
A lágrima no chão é um espelho d’água...

Inconscientemente Insano

Vejo luzes dançantes
No escuro me sinto só
Protegido pela névoa
Camuflado pelo meu corpo
Busco o sentido
O sentido de tudo
O porquê de cada ato
De cada passo predestinado
Agora vejo-as girando
Não param de girar
A vida passa aos meus olhos
Num piscar do universo
Um insight passa sobre meus pensamentos
Me deixando louco por um segundo

...ou talvez normal
Vejo os extremos quase se tocando
Como num atalho imaginário
O impossível agora
pode ser alcançado
E o improvável se torna inevitável
Sombras invadem minha mente
Demônios riem nas trevas
O confronto é incessante
A vitória é sempre incerta
O magnetismo das forças
traz consigo a eternidade da luta
O momento inoportuno e difícil
proclama o final já esperado
O brilho da espada do guerreiro
não reflete mais
seu olhar imponente
Seu cavalo alado
agora quase morto
descansa ao seu lado
O elmo, antes reluzente
Agora chanfrado de tantas batalhas
Não mais o protege no combate
Sinto a bandeira do inimigo
Fincada em minha alma
O guerreiro está ferido
e a batalha perdida
Volto à realidade insana
E não consigo mais pensar
Mas percebo agora
o sentido dessas linhas
No decorrer da vida
a guerra seguirá
Só espero ao fim dela
conseguir achar
a razão... o objetivo
que me trouxe até aqui
Que me fez, um dia, acreditar
Que me fez, dessa vez...
à sanidade voltar .

Resquícios de um Romance Sangrento





Eu esmoreço aos poucos,

enterro-me não como a carcaça que putrefaz,

Mas sim como a lápide de meus sonhos!



Minha sina agora é por ti,

Meu anjo agora és tu,

Se fores aquele que almeja a dor

Através de mim, terás!



Tal qual a pétala que ainda jovem

é consumida pelo mais nefasto ser,

Estou a definhar entre trevosas e espinhentas

rosas do meu mundo interior!



Meus sentidos agora são por ti,

Meus medos todos serão por ti,

Se fores aquele que estava prescrito nas profecias,

Saiba que há o Mal em mim!



Assim como num conto da Era Medieval,

o cavaleiro das Trevas armado assaltou-me,

Assim como nos versos em que praguejo,

meu guardião veio para meu tormento!



Minha vida agora é por ti,

Minha dor agora é por ti,

Se minhas orações forem fortes

O tormento há de logo abrandar!



Deixei que a demência tomasse conta

de minha já deturpada imaginação,

Levei meus pensamentos até o mais belo dos céus

e caí nas garras do purgatório!



Minha queda moral será por ti,

Meus desvarios serão por ti,

Mas se queres a salvação,

Agarre-se às suas crenças e fuja enquanto é tempo!



Afague meu corpo em frangalhos,

enlouqueça os meus maculados segredos,

Embaralhe minha turva visão,

esquarteje a carne enfraquecida,

mas suplico: não perca-se!



Meus versos serão para ti,

Minhas canções estarão em ti,

Porém a loucura é satânica,

E deves salvar sua alma enquanto ainda há chance!



Arraste-me até o poço mais imundo dos cemitérios,

mate-me, arraste minha carcaça,

Mas suplico para que deixe de ludibriar seus olhos de lobo

pois a besta selvagem sou eu!



Meus sonhos serão por ti,

Minhas mágoas serão por ti,

Mas se queres escapatória,

Entregue-se ao medo!



Corte-me, torture-me,

estrangule-me com seus toques!

Envenene-me, complete a odiosa possessão,

reviva os pecados de sua vida anterior!



Meus males serão por ti,

Minha cura estará em ti,

Mas se ainda queres viver

Abandone-me!



Despedace o coração

de uma merecedora do sofrimento eterno,

Aumente o peso do fardo que devo carregar,

assassine os fados que construo com sua presença!



Minha vida segue em ti,

Meu castiçal apaga-se por ti,

Se ainda almeja ver a luz

Afaste-se desta fatídica criatura!



As mortiças horas estão a fundirem-se,

a cavalgada dos mortos está para pisotear-te,

Os bizarros desejos pelo mórbido juízo final

estão a corroer o silêncio!



Meus pavores estão em ti,

Meus horrores estão guardados em ti,

Porém se procuras não se machucar

Proteja-se de mim!



Em seus ombros

vejo as asas angelicais esconder,

Em suas palavras percebo a sabedoria a escorrer

por entre a perturbação que adquiri!



Definharei somente por ti,

Meu êxtase será por ti,

Se anseia pela libertação

Esconda-se no coração enegrecido da noite!



As tragédias teatrais parecem misturarem-se

entre as palavras que dizeis,

Meus sentidos entorpecidos choram quando mostro alegria,

minha loucura está levando-me à morte!



Meu morgue será por ti,

Minhas vísceras irão se retorcer por ti,

Se fores aquele que tentará salvar-me

Perderá sua sanidade!



Pelas melodias profanadas,

pelas premonições profundamente enganadoras,

Em cemitérios entre vivos,

em morgues entre sentimentos,

respirarei enquanto ainda puder!



Meu embalo no compasso ritmado será por ti,

Minha dança fúnebre será por ti,

Porém se ainda queres prazer

Destrua esta minha maldita orquestra!



Ao invés do leve abrir da ostra

que mostra orgulhosa a pérola embalsamada,

Trancafiarei este sentimento no mais oculto porão,

para que as armas da minha loucura jamais firam seu coração!



Meu amor segue por ti,

Minha adaga permanece cortante por ti,

Mas se queres que eu corte-me,

Por ti, sangrarei até a morte!